Escrever, Transformar & Ser Cap. IV

Todos nós já vivemos os nossos lutos, as nossas perdas e despedidas ao longo da nossa vida estando ou não preparados para lidar com todas as emoções associadas a esses processos, querendo ou não lidar com essas emoções no tempo certo ou num outro tempo onde pensamos que estamos mais preparados para lidar e aceitar cada situação vivida. Vivemos lutos diariamente não só associados à morte de alguém, mas também associado à morte de algo no nosso ser, sejam emoções, pensamentos, sonhos, assim também nos despedimos diariamente de alguém e de algo da nossa vida que nos leva a precisar de refletir em todos os processos de perda para que possamos os viver de um modo mais saudável e equilibrado.

No que diz respeito ao papel a Escrita Terapêutica no desenvolvimento dos processos reflexivos sobre os nossos lutos, posso afirmar que se torna muito importante quando escrevemos sobre os nossos lutos, perdas e despedidas, quando os identificamos de modo a que possam ser acolhidos, aceites, compreendidos e claro está, ultrapassados. Ao escrever sobre os nossos lutos, perdas e despedidas estamos a reconhecer a sua existência e a tentar desenrolar o novelo que os mesmos criam nos nossos sentimentos e emoções, impedindo-nos de viver a vida e de permitir que algo novo floresça no nosso viver.

Um dos primeiros exercícios de escrita que posso sugerir é a elaboração da Lista de Lutos, onde se identificam todos os lutos que vivemos e estamos a viver neste momento sejam eles relacionados com pessoas, com situações específicas, com emoções, com relações, ou seja, com tudo aquilo que nos faz viver um processo de luto e sobre o qual nos temos que despedir, não para esquecer, mas para aceitar que tem que haver um fim para haver um novo começo e se ficarmos eternamente presos aos nossos lutos, não nos vamos permitir crescer, evoluir e iniciar novos processos, com novas emoções e com mais vida.

Para preencher a Lista dos Lutos podemos escrever as nossas perdas como por exemplo, um despedimento laboral, o fim de uma relação, a morte de alguém, o diagnóstico de doença crónica, a despedida de alguém que vamos deixar de ver durante algum tempo, algum sonho que deixamos morrer porque não lutámos por ele ou desistimos, a perda da nossa imagem corporal por algum trauma/acidente/doença, entre tantas outras perdas que são vividas por todos nós.

Agora que temos a nossa lista com alguns exemplos dos nossos lutos podemos continuar a utilizar a Escrita Terapêutica para refletir sobre cada um deles individualmente. Um dos exercícios de mais utilizo para trabalhar os lutos são as cartas, a Carta de Perda e a Carta de Luto, que têm como objetivo escrever sobre todo o processo de perda e também sobre todo o processo de vida para que seja valorizado cada instante do que foi vivido além da perda, para que seja possível ter um vislumbre do que estamos a viver agora e sobre como queremos viver num futuro após vivermos saudavelmente a gestão das nossas emoções.

A Carta de Perda pode ser utilizada para lidar com as perdas para a Vida, ou seja, para escrever sobre todas as perdas que não estejam relacionadas com a morte física, sendo que um dos casos em que pode ser utilizada é no fim de uma relação, seja qual for o seu grau de intimidade. Para elaborar essa carta começamos por nos dirigir à pessoa de que nos estamos a despedir enaltecendo tudo o que foi vivido com ela realçando cada emoção, cada sentimento durante o tempo que se viveu em comum, só depois passamos para a escrita do processo de perda em si onde assumimos tudo o que sentimos, tal como nos sentimos sem filtrar e nem utilizar qualquer juízo de valor sobre o que foi sentido, terminando a carta a dizer como nos sentimos no momento atual e como nos vemos num tempo futuro depois de lidar com essa perda.

A Carta de Luto pode ser utilizada para lidar com as perdas por morte física de alguém seja qual for o tempo em que essa morte tenha acontecido. Para elaborar essa carta começamos por nos dirigir à pessoa de que nos estamos a despedir enaltecendo tudo o que foi vivido com ela, realçando cada emoção, cada sentimento durante o tempo que se viveu em comum, só depois passamos para a escrita do processo de luto em si, onde assumimos tudo o que sentimos, tal como nos sentimos sem filtrar e nem utilizar qualquer juízo de valor sobre o que foi sentido, terminando a carta a dizer como nos sentimos no momento atual e como nos vemos num tempo futuro depois de lidar com essa morte.

Vivermos os nossos lutos, escrevendo sobre eles, ajudam a aceitar que a vida é feita de ciclos que terminam e outros que começam, onde precisamos de nos desapegar do que se perdeu para estarmos dispostos a receber o que poderá chegar, sendo que no caso da morte de alguém, fazer as pazes com esse processo implica assumir que o Amor é o elo universal que perpetua a presença de alguém na nossa Vida, mesmo que a dor da sua ausência física seja enorme, pois só morre em nós quem nós permitimos que morra.


Ricardo Fonseca

www.semearemocoes.com

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: