Escrever, Transformar e Ser Capítulo V

Quando estamos a escrever sobre o que pensamos e sentimos estamos a atribuir uma forma, a dar vida aos nossos pensamentos e emoções, que fazem emergir a nossa personalidade, que se vai revelando e moldando consoante vamos lendo o que escrevemos, sabendo que após essa leitura algo mudará em nós, iremos querer moldar o nosso Ser.

É este processo em escrever o que pensamos e sentimos que se torna terapêutico para cada um de nós, possibilitando a integração das nossas verdades, muitas vezes escondidas porque não as queremos enfrentar, porque ainda não é tempo para as enfrentar e quando as enfrentamos, corajosamente, haverá mesmo que conscientemente mudanças na nossa forma de ser, pensar, estar e sentir.

Um dos exercícios de escrita terapêutica que pode ser aplicado neste contexto é a Conversa comigo mesmo, sendo um exercício onde se vão criando diálogos entre o nosso interior e o nosso corpo, questionando o porquê de alguns pensamentos e ao que podem estar associados, dando voz ao que pensamos e muitas vezes temos medo de dizer, de admitir como nossas verdades, receando o seu efeito na vida do Outro com quem nos relacionamos.

Esse diálogo pode ir sendo construindo passo a passo, começando pelas questões mais simples como “O que estou a pensar neste momento?”, “Que efeitos tem esse pensamento na minha forma de estar, na minha Vida?”, “Porque não dou vida a esses pensamentos e os guardo apenas para mim?”. Ao responder a estas questões começamos a compreender, em grande parte, o nosso processo de pensamento e os porquês de guardarmos tantas ideias e pensamentos em nós mesmos, recusando proferir os mesmos, não tanto apenas pelos efeitos no outro, mas sim nos efeitos que poderá ter na nossa Vida e nas nossas emoções. É uma conversa, através da realização deste exercício, que nos vai despir camada por camada, fazendo com que se perceba o porquê de tantas interrogações, de tantas dúvidas, receios e dilemas.

Anúncios

Ao desenvolver esse exercício que pode ser duplicado, por cada situação ou por cada pensamento, podemos ir descobrindo quem somos e como os nossos pensamentos têm moldado o nosso ser, a forma como vivemos, nos relacionamos, ajudando a perceber que realmente somos o que pensamos e somos tudo aquilo que escrevemos, porque nos permitimos ousar desvendar cada pensamento entrelaçado em tantos outros pensamentos e que clama por ser compreendido, por ser interpretado para aprimorar a nossa vida. Não há respostas certas ou erradas nesta conversa, pois sejam quais forem as respostas, são parte de nós e são as nossas verdades e pedem um exercício de aceitação, sem juízos de valor, sem autocrítica, pois só assim podemos remover todos os grilhões que vamos colocando na nossa mente, tornando-a um epicentro dos nós emocionais da nossa Vida.

Esse processo de aceitação do que somos o que pensamos, sentimos e escrevemos pode ser vivido através de um exercício de escrita denominado Compromisso de Aceitação, onde cada um de nós aceita o processo terapêutico que iniciou ao dar vida aos seus pensamentos e emoções e onde aceitamos quem somos, como somos, com as nossas verdades. Neste exercício podemos começar o processo terapêutico de escrita com a seguinte afirmação “Eu comprometo-me a aceitar os meus pensamentos como parte de quem sou, querendo conhecer cada um deles, para impedir que me dominem, que criem sobrecarga na minha Vida e para que me permitam compreender o que estou a viver (…) ”e depois podemos continuar a aprofundar o nosso processo de aceitação, nomeando cada pensamento, dando-lhe a vida que ele merece.

Se somos o que pensamos, será que estamos felizes como somos? Será que gostamos e aceitamos os nossos pensamentos como parte de quem somos? Talvez, em alguns momentos, a nossa resposta não seja afirmativa, pelo que cada um destes exercícios de escrita nos irá ajudar a compreender o porquê de não aceitarmos e gostarmos do que pensamos, estando muitas vezes relacionado com o medo de olhar diretamente para o nosso interior, que clama, por vezes, por um pouco de atenção, por algumas palavras que questionem, que ressoem na nossa alma e nos permitam evoluir e aperfeiçoar quem somos.


Ricardo Fonseca

www.semearemocoes.com

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: