Escrever, Transformar e Ser Capítulo VII

Cada ser humano tem um conjunto de características que o define e o torna único apesar das suas similaridades com todos os outros seres humanos. Algumas dessas caraterísticas podem ser associados ao que vulgarmente chamamos de qualidades e defeitos, mas que no meu entender, como terapeuta, se podem chamar qualidades positivas e menos positivas, pois defeitos é algo que deve ser associado a objetos e coisas e não a uma pessoa. Pensar em nós mesmos como portadores destas caraterísticas poderá permitir um reflexão consciente sobre quem somos, valorizando a nossa aceitação pessoal.

No que diz respeito ao papel a Escrita Terapêutica no processo de aceitação plena de quem somos e como nos manifestamos costumo aconselhar a elaboração da Lista de Qualidades onde se pode identificar as nossas caraterísticas positivas, que queremos manter e/ou aperfeiçoar e as nossas caraterísticas menos positivas, que precisamos acolher, aceitar, para as podermos transformar em positivas ou mesmo que não consigamos transformar, para podermos viver com elas de um modo consciente e saudável.

Para a elaboração da Lista de Qualidades, temos que ser o mais sinceros connosco mesmos e não fazer qualquer juízo de valor que impeça a escrita dessas mesmas caraterísticas quer gostemos ou não gostemos delas. Após a elaboração dessa lista podemos iniciar o processo de reflexão sobre a forma como valorizamos ou desprezamos as nossas caraterísticas pessoais, pois mesmo identificando as que são positivas podemos estará viver um processo de menosprezo por essas mesmas caraterísticas por mais positivas que sejam e podemos estar a enaltecer aquelas que não são positivas e das quais nem gostamos.

Agora que temos a nossa lista e começámos a viver o nosso processo reflexivo podemos dar continuidade ao nosso processo terapêutico, utilizando a escrita, elaborando a uma Carta da autoestima, uma carta onde vamos responder a estas questões “O que gosto verdadeiramente em mim? O que não gosto verdadeiramente em mim?”, escrevendo sem qualquer juízo de valor quais as experiências de vida que estão associadas às suas emoções e sentimentos que possam levar a que goste mais ou menos de si mesmo. Ao mesmo tempo ao elaborar esta Carta da autoestima podemos começar a compreender que muitas vezes não aceitamos quem somos, não por nós mesmos, mas sim pelo que os outros pensam sobre nós e o poder que isso tem na nossa relação connosco mesmos.

A elaboração da carta supracitada vai permitir o florescimento de muitas emoções que poderão causar um turbilhão, ao recordar e escrever também sobre determinadas memórias e experiências de vida, o que pode levar a um outro desafio que é começar a escrever a Carta de Aceitação, onde vamos responder à seguinte questão “Porque não me aceito tal como sou?”, onde vamos responder com a maior sinceridade possível, escrevendo sobre todas as experiências e emoções que fazem com que não goste de mim, quer sejam causadas por mim mesmo ou causadas pelo efeito que o Outro tem na nossa Vida e na visão que temos de nós mesmos.

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A Carta de Aceitação não tem que ser escrita unicamente referindo a aspetos menos positivos, pois podemos elaborar uma outra versão da mesma, respondendo à seguinte questão “Porque me aceito tal como sou?”, onde podemos escrever sobre tudo aquilo que sentimos positivamente sobre nós mesmos e quer faz com que aceitemos a totalidade do nosso ser, independentemente das vicissitudes da Vida e dos efeitos das nossas relações pessoais, incluindo a relação connosco mesmos.

A elaboração da Lista de Qualidades, da Carta da autoestima e das duas versões da Carta de Aceitação, vão conduzir a um grande processo reflexivo sobre a formo como vivemos, como nos sentimos connosco mesmos, identificando lacunas a colmatar, aprendizagens a integrar, emoções a acolher e vão levar a um último exercício de Escrita Terapêutica que se chama Carta a Mim Mesmo, carta onde vamos responder a uma única e complexa questão “O que tenho a dizer a mim mesmo?”, onde vamos escrever sobre tudo aquilo que queremos conversar com o nosso ser, tendo como base as reflexões anteriormente realizadas com os outros exercícios.

O que tem a dizer a si mesmo? Arrisca-se a ser você mesmo?

Ofereça a si mesm, estes exercícios e esta oportunidade de reflexão, crescimento e evolução, para que se possa sentir feliz tal como é, como sente, vive e se relaciona.


Ricardo Fonseca

www.semearemocoes.com

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