Escrever, Transformar & Ser Vol.2 Cap.I


Muitos de nós passamos a vida a olhar constantemente para fora, para o que nos rodeia, para as nossas relações e vamos idealizando os mais diversos sonhos, pelos quais queremos lutar, porém muitas vezes receamos olhar para nós mesmos, com medo do que possamos encontrar, com mede de ter que gerir emoções bem guardadas no cofre das emoções. Olhamos para fora para evitarmos olhar para a nossa essência e evitarmos que o Outro olhe também para quem somos e como somos. Urge olhar para dentro de nós, pois só assim podemos despertar para a Vida e podemos lutar pela concretização dos nossos sonhos, em consciência e com as certezas que precisamos para enfrentar os desafios da Vida.

No que diz respeito ao papel a Escrita Terapêutica há vários exercícios que podem ser elaborados para nos guiarem na viagem ao nosso interior, porém só escrever por escrever não ajuda e não é terapêutico, pois precisamos de assumir um compromisso connosco mesmos, de que vamos enfrentar o que há para enfrentar no nosso interior e assim, um dos primeiros exercícios que queria aconselhar é a elaboração da Carta do Compromisso, onde vamos nos comprometer com esta viagem. Para elaborar esta carta podemos começar por escrever “Eu comprometo-me a olhar para o meu interior e a acolher tudo o que possa vir a encontrar (…) ”e depois continuamos a escrever o que estamos a sentir no momento em que assumimos o compromisso.

Após a elaboração do compromisso, podemos passar a elaborar outro exercício denominado Carta a mim mesmo, onde vamos conversar com a nossa essência, como se o nosso corpo quisesse conversar com as suas emoções e sentimentos. Nessa carta vamos escrever tudo aquilo que queremos dizer a nós mesmos, sejam emoções mais ou menos positivas, estabelecendo uma conversa consciente e sem juízos de valor. Para começar a carta podemos ter em conta este mote “Olá (seu nome). Eu gostaria de te dizer que sinto/penso/quero/não quero/reconheço que (…) ”e depois continuar a escrever tudo aquilo que faça sentido e, mesmo que não faça sentido no momento, escrever sem bloquear o que estamos a sentir, pois posteriormente poderemos trabalhar essas mesmas emoções.

A Carta a mim mesmo é um exercício contínuo, pois podemos ir sempre acrescentando algo que queiramos dizer a nós mesmos e para ajudar na elaboração da carta podemos também criar listas com tópicos e ideias, como escrever o que gostamos em nós, o que não gostamos, os nossos medos, as nossas forças, as emoções mais e menos positivas, para que a conversa seja a mais franca possível, sem bloquear emoções, deixando fluir as mesmas, pois anteriormente foi realizado o compromisso de viajarmos em nós mesmos, mesmo não sabendo o que possamos encontrar.

Ao mesmo tempo para ajudar a realizar e viver em pleno esta viagem ao nosso interior podemos elaborar um exercício de criação de metas, ao passo que vamos encontrando situações que precisamos e queremos trabalhar. Para criar essas metas precisamos de dar um nome a cada uma delas, de seguida escrevemos o que está a nosso favor para ajudar nesse processo, depois o que poderá estar contra e finalmente as decisões que queremos ter em conta e as estratégias a ter em conta. Como exemplo para este exercício, podemos elaborar o mesmo desta maneira: Eu gostaria de aumentar a minha autoestima, pensando no que está a seu favor (gostar de si mesmo, desafios conquistados, valorização, carinho, amor, etc.), pensando o que está contra (falta de confiança, falta de motivação, desafios não conquistados, perdas, etc.), quanto às decisões que queremos ter em conta Quero aumentar a minha autoestima e para isso passamos às estratégias, como por exemplo, Vou reconhecer e acolher as minhas conquistas, Vou valorizar-me mais, Vou cuidar mais de mim, etc.

Com estes exercícios de Escrita Terapêutica estamos a criar uma espécie de mapas que nos irão orientar na mais bela jornada de sempre, que é a viagem ao nosso interior, pois além das coisas que estão escondidas e que podemos não gostar, vamos voltar a conectar com o que gostamos em nós, vamos voltar a cuidar da nossa criança interior e da nossa essência, pois só assim podemos acolher o mundo, sem que o mesmo nos domine e afete em grande escala o nosso Viver.

A par desta viagem ao nosso interior podemos também elaborar o Diário de Viagem Interior, um exercício onde vamos escrevendo, em tópicos ou textos, tudo aquilo que vivenciamos a cada passo que damos nesta jornada. Podemos escrever tópicos como “O que senti ao enfrentar este aspeto? O que senti ao conectar comigo mesmo? Quais as emoções mais positivas que senti? E as menos positivas? Como quero fazer o resto da viagem?”. Estas questões serão deveras essenciais para transformar a forma como caminhamos diariamente, como vivenciamos este majestoso despertar em nós mesmos, para o Outro e para o Mundo.

Reitero que não existem, ao utilizar a Escrita Terapêutica, respostas certas ou erradas, mas sim emoções genuínas, desde que sejam o mais sinceros possível convosco mesmos, que não se coibam de escrever o que sentem, mesmo que pareça algo errado, que seja algo que não corresponde à vossa forma de estar, mas se essa mesma emoção ecoou no vosso ser, é porque está a pedir para ser, conscientemente, trabalhada, compreendida e acolhida em Amor.

Assim, estimado leitor, compromete-se a iniciar a viagem ao seu interior? Arrisca-se a viver uma das mais intensas e belas experiências da sua Vida?

Ofereça a si mesmo a oportunidade de se conhecer melhor, de potenciar a sua Vida, de conviver saudavelmente com as suas emoções, para poder abraçar o Mundo e alcançar os seus sonhos.

Ricardo Fonseca

www.semearemocoes.com

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