Ganhei uma nova vida quando te perdi

Meus queridos amigos, como foi a vossa semana? Espero que tenha sido serena e produtiva.

Hoje vou falar-vos do mais recente livro de Raúl Minh’Alma, que se chama Ganhei uma nova vida quando te perdi. Este livro saiu em novembro e foi comprado em regime de pré-venda, o que fez com que conseguisse um exemplar da primeira edição e autografado. É de valor, não concordam?

Posso dizer-vos que o último romance dele foi esclarecedor e revelador para mim. Aliás, foi com ele que iniciei a rubrica “Ler & Voar”, já lá vão uns meses.

Voltando ao nosso livro, este conta-nos a história de Alice que decide esquecer Gustavo, depois de este a ter magoado. Aconselhada pela sua psicóloga, decide procurar Artur, um homem sábio e misterioso, que têm um dom. Tem o dom de apagar temporariamente as memórias associadas a quem nos magoa. Deveras interessante, não acham? Quanto de nós nunca desejou tal coisa?

Quando Alice conheceu Artur, este não a quis ajudar logo de início, mas percebendo o seu desespero, decide então ajudá-la. Primeiramente, pede que ela reúna todos os itens que tem que lhe façam lembrar Gustavo. Ela assim o faz e vai ter com ele. Ele pede-lhe que se desfaça deles, o que ela o faz. A seguir, Artur explica-lhe no que consiste o seu dom, isto é, através da hipnose consegue “eliminar” todas as lembranças daquela pessoa. Para tal, ele usa uma ampulheta, pelo que este processo é revertível. Se ela inverter a ampulheta, todas as lembranças apagadas voltam ao ponto de partida. O que este processo permite é dar tempo à pessoa para que ela desenvolva mecanismos de auto-defesa para que aquela pessoa deixe de ser importante para ela. Contudo, e antes de iniciar o processo da hipnose, Artur alerta-a para as consequências daquela decisão, pois doravante tudo à sua volta se podia tornar numa pura ilusão. Mesmo ciente, ela decide continuar com o processo de hipnose. Terminado, Artur mostra-lhe uma foto de Gustavo, à qual ela mostra indiferença. A sua parte, em parte, estava feita.

Todavia, é importante referir, até mesmo para ajudar a contextualizar toda a história, que Artur era alfaiate de profissão. Alice quando foi ter com ele, foi ter à sua loja. Lá, conhece Rodrigo, o braço esquerdo e direito de Artur.

Escusado será dizer que Alice e Rodrigo começam a passar algum tempo juntos o que levará a que Alice se apaixone por ele. Contudo, a confusão instala-se, pois poderia não passar de uma mera ilusão, tal como Artur a advertira. Agora, Alice tem uma decisão para tomar: ou enfrenta o passado ou vive um novo amor que pode ser fruto de uma mera ilusão …

Alice decide, inicialmente, afastar-se de Rodrigo, pois tal como Artur aconselhara, a fase do esquecimento cria ilusões que poderão magoar não só a si como também a pessoa por quem se apaixonar, neste caso, em particular, Rodrigo. Este, ao aperceber-se de que ela se encontrava na fase do esquecimento, diz-lhe que se eles se aproximaram foi porque tinha de ser. Alice continua a “lutar” contra esta situação.

Outra coisa que percebemos do decorrer da ação é que Artur esconde um segredo, segredo esse que acutila a curiosidade de ambos. Logo, juntam-se, em missão para tentar desvendá-lo. Numas das saídas de Artur, eles decidem-no seguir e vão ter até uma casa de repouso. Após cogitarem um plano para lá entrar, apercebem-se que Artur visita a sua esposa, Adelaide, que se encontra num estado apático. Na mão, Adelaide segura uma fotografia velha, onde estão Artur, Adelaide e uma menina. Mais tarde, Alice conta a Artur o que fez e este explica que tiveram uma filha que faleceu de acidente de viação. Contudo, Artur não lhe explica o porquê de a esposa se encontrar naquele estado, dando-lhe a entender que o explicará mais tarde.

A aproximação entre Alice e Rodrigo é cada vez mais real e Alice toma a decisão de recuperar as lembranças apagadas por Artur, pois preferia viver algo real, por mais que lhe doesse, do que algo irreal.

Alice vira a ampulheta, inverte o seu nome e todas as lembranças submergem, ficando confusa e sem saber o que fazer.

Mais tarde, na sua cerimónia de finalista, profere o discurso final e começa a recordar-se de tudo o que viveu com Rodrigo, apercebendo-se que o ama verdadeiramente. Gustavo ainda tenta, mais uma vez, fazer estragos no coração de Alice, mas esta não deixa e mostra que aprendeu todos os ensinamentos de Artur.

Falando em Artur, falta desvendar o porquê de Adelaide estar naquele estado. A resposta é que era ela a condutora do carro onde Catarina, a filha deles, morreu. A morte desta levou-a a um estado de depressão. Alice ainda perguntou o porquê de não ter apagado as memórias delas, ao que ele respondeu que por mais que nos doa, não podemos apagar as alegrias que um filho nos dá. O mais curioso é que se descobre que também Rodrigo tivera as suas memórias apagadas, pois Rodrigo e Catarina eram namorados. O livro termina com a descoberta disso e da ampulheta com o nome de Rodrigo. Será que a vai inverter e reviver tudo o que esquecera?

Meus amigos, por mais que nos custe e nos doa, temos de passar por toda esta dor para que consigamos aprender a lição que, na minha opinião, se encontra inerente. Tudo na vida é uma aprendizagem. Também passei por algo semelhante. Também fiz o meu luto (demorou anos, mas finalmente fi-lo) e também cresci. Hoje em dia, sou uma pessoa mais forte, emocionalmente, e mais sábia do que era há sete anos.

Agora perguntam-me: Se soubesses que ias sofrer, tinhas avançado?

A resposta é sim, porque se esta dor não tivesse existido, não seria a pessoa que hoje sou…E porque na dor também há aprendizagens a reter. Mas se me fizessem esta pergunta há uns sete anos, não daria a mesma resposta, pois ainda me encontrava consumida pela dor. Só isso demonstra o quanto a dor nos faz evoluir!

Até para a semana …

TCR

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