Uma Verdade Simples

Olá, meus amigos, como foi a vossa semana? Espero que estejam tão ansiosos como eu pela nossa rubrica. Hoje vou falar-vos de um livro que se chama Uma Verdade Simples, da autoria de Jodi Picoult.

Estava eu a deambular pela seção dos livros de uma cadeira de supermercados, quando, de repente, os meus olhos bateram neste livro e disse para comigo: “Vou ter de o levar!”

Este livro é um pouco diferente dos que vos tenho trazido, porque toda a ação decorre numa comunidade Amish, onde um recém-nascido aparece morto no interior de um celeiro. Ficaram tão curiosos como eu, certo?

É conduzida uma investigação criminal e todas as provas sugerem que Katie Fisher, uma jovem amish de dezoito anos seja a mãe e, ao mesmo tempo, a homicida do bebé. Katie nega desde o primeiro minuto ter estado grávida e de ter dado à luz um bebé, apesar de todos os testes médicos dizerem o contrário.

Os Amish são conhecidos como Pessoas Simples, que trabalham em comunidade, sempre em prol do outro, renunciado qualquer tipo de prazer pessoal. Katie, a nossa amish, é uma “amish dos pés à cabeça”, tal como o próprio irmão dela, Jacob a designava. Ele, que fora banido da comunidade por querer ter um curso académico, acreditava que ela não fora a culpada.

Ellie Hathaway será a advogada de defesa da Katie. Ellie, farta de safar os piores malandros de Filadélfia, decide dar um tempo na sua carreira, consequentemente na sua relação amorosa, e decide viajar até Paradise, na Pensilvânia, para estar uns tempos com os seus tios. A sua tia Leda, esposa do seu tio, fora uma Pessoa Simples, que fora banida por se ter apaixonado por um membro fora da comunidade. Quando os Amish são batizados, em idade adulta, jamais podem ir de contra à sua comunidade.

Coincidência ou não, Leda é tia de Katie, a jovem amish. Elie que queria descansar se vê obrigada a defender a jovem amish. Quando a jovem é levada a um juíz, Ellie designa-se como sua advogada e consegue que a mesma permaneça em liberdade até ao início do julgamento. A condição é que a advogada não podia perder a sua cliente de vista, o que a obrigou a se mudar para a quinta dos Fischer e a ser uma “amish”. A adaptação não foi fácil, para nenhum dos lados. Contudo, o Bispo da comunidade queria que Katie tivesse a melhor defesa possível em tribunal, o que fez com que os pais de Katie aceitassem a presença de Ellie. Foi também este Bispo que ajudou Elie a obter tudo o que precisava, inclusive verbas monetárias.

Foi através dessas verbas que Ellie consegue que o seu velho amigo e antigo namorado de faculdade, John Joseph Cooper, mais conhecido por Dr Cooper, se deslocasse até Paradise. Cooper é um psiquiatra clínico de profissão. Katie, a muito custo, aceitou falar com o Dr Cooper e aos poucos foi desvendado alguns segredos, chegando-se à conclusão que ela afinal se lembrava de ter o bebé nos seus braços, mas não se lembrava do seu nascimento nem da sua conceção. Super estranho, não acham? Se nós achamos, imaginem Elie que tinha de preparar a sua defesa. Cooper aconselhou Ellie a contratar uma psiquiatra forense para que com a ajuda desta Katie se pudesse finalmente lembrar o que acontecera naquela noite, no celeiro. A Dra Polacci conseguiu um pouco mais de informação, contudo, Katie continuava bloqueada relativamente à conceção e nascimento do bebé, chegando ao ponto de inventar uma história só para agradar a Ellie.  

Ellie desesperava, pois não sabia o que fazer mais para ajudar a sua cliente. Aos poucos, Ellie e Cooper vão recuperando o contacto e a chama da paixão volta a acender.

Ao longo do livro, a autora vai-nos dando informações sobre as ações de Katie e ficamos a saber que, de vez em quando, Katie visitava o seu irmão, com o desconhecimento do pai, mas com o conhecimento da mãe que alegava que a mesma ia visitar a tia Leda. Nessas visitas, Katie conheceu Adam, amigo e companheiro de casa do seu irmão. Adam tinha feito o seu doutoramento da área de estudo de fantasmas, o que prendeu logo a atenção de Katie, pois ela via o espírito da falecida irmã Hannah, dois anos mais nova que ela, que morreu precocemente. As duas tinham ido andar de patins, num lago gelado, quando o mesmo rachou e engoliu a jovem Hannah. Este episódio marcara profundamente a nossa Katie.

Katie contou-lhe o que viria e ele disponibilizou-se a ir até ao local onde Hannah perdera a vida confirmar se era o espírito dela que Katie realmente via. Katie, às escondidas, sai de casa durante a noite e vai ter com o Adam ao local combinado. Ela leva-o lá e confirma-se. Ambos veem a pequena Hannah a andar de patis. Adam até lhe descreve a roupa que Hannah envergava nesse fatídico dia. Katie abraça-o, emotivamente. Os dois, que se haviam apaixonado, dão largas ao seu amor e envolvem-se sexualmente. Contudo, Katie arrepende-se no mesmo momento, pois perdera uma parte de si.

Eis que se inicia o tão esperado julgamento de Katie. Ellie que, inicialmente, iria tentar provar que Katie sofria de insanidade mental, vê-se obrigada a alterar a sua defesa, porque a sua cliente queria contar a verdade, pois era assim que tinha sido criada. Ao dizer a verdade, seria perdoada por Deus e pela sua comunidade. Contudo, o trabalho de Ellie complicar-se-ia, visto que nem a própria Katie sabia como é que tinha morrido o bebé.

Várias testemunhas são ouvidas, quer incriminatórias quer de abonação. Até que chega o testemunho por que todos esperavam: o testemunho de Katie. Conta as indicações de Ellie, Katie admite ao advogado de acusação ter morto o seu filho. Todo o tribunal fica em sobressalto. Ellie pede para contra-interrogar a sua cliente. É através desse contra-interrrogatório que se percebe o porquê de ter dito que tinha morto o seu bebé. Durante o julgamento, uma das testemunhas dissera que o bebé morrera devido a um agente infecioso chamado listeria e que o mesmo tinha sido transmitido pela mãe. Daí Katie ter assumido a culpa, porque, e de acordo com a sua religião, ao confessar o seu pecado estaria a assumi-lo e, deste modo, podia ser perdoada e reintegrada na sua comunidade.

Quanto de nós temos esta capacidade? A capacidade de assumir algo que não fez, pelo simples facto de ser o mais correto para a nossa comunidade?

Este livro vai ao encontro da velha expressão «uma chapada sem mão», porque nos ensina que o bem de uma comunidade é mais importante que o nosso próprio bem, Numa mundo cada vez mais egoísta, sabe muito bem ler sobre o princípio do bem comum.

Até para a semana …

TCR

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