A Mulher do juiz

Olá, meus amigos, mais uma terça feira, mais um livro. O escolhido para esta semana chama-se A Mulher do juiz e foi escrito por Ann O’Loughlin. Admito que foi a primeira vez que li algo escrito por esta senhora e recomendo-vos vivamente.

Este livro conta-nos a história de duas mulheres, Grace Moran, mãe, e Emma Moran, filha, com uma diferença temporal de aproximadamente trinta anos.

Emma regressa a Dublin, anos depois de ter partido para Austrália, após a morte do seu pai, um juiz austero com quem nunca criou laços afetivos. Emma fora criada pelo pai, pois disseram-lhe que a sua mãe tinha falecido aquando do parto, o que vem a descobrir ser mentira. Emma regressa com o propósito de esvaziar a casa de família o mais rápido possível, para seguir com a sua vida. Mal sabia ela que nestas arrumações irá descobir toda a verdade sobre a “suposta” morte da sua mãe Grace.

Aos poucos, Emma vai encontrando cartas que a mãe escreveu a Vikram Fernandes, o jovem médico indiano por quem se apaixonou perdidamente. O facto aguça-lhe a curiosidade, pois tem aqui a oportunidade de conhecer a sua mãe, cuja ausência lhe deixara marcas profundas. Emma decide então ficar e reconstruir, peça a peça, todo um passado que desconhece.

Grace fora obrigada a casar-se com o jovem proeminente a juiz, Martin Moran, pela sua tia-avó, Violet, que a criara após a morte trágica dos seus pais. O passado de Grace não podia ser mais marcante. Tinha sensivelmente seis anos, quando o seu pai descobriu o caso extraconjugal da sua esposa com um comerciante paquistanês, na sua própria casa. Aliás, a mãe de Grace já tinha fugido com o tal comerciante, tendo-se arrependido e voltado grávida para casa. O pai de Grace perdoara a traição e a aceitara de volta, sob a condição de o mesmo não voltar a acontecer. Contudo, a mãe de Grace não conseguiu cumprir com a promessa e voltou para os braços do seu grande amor. Desta vez, o pai de Grace não perdoou, matando-a com uma arma branca e suicidando-se em seguida. O comerciante paquistanês conseguiu sobreviver, por uma unha negra.

A pequena Grace foi obrigada a ir viver com o único parente que tinha, a asquerosa tia Violet, que vinha a ser, anos mais tarde, a sua pior inimiga. O casamento de Grace e Martin fora de conveniência e escusado será dizer que a tinha Violet foi bem recompensada, monetariamente, pelo dito casamento. Grace tinha bons vestidos, uma enorme casa no centro de Parnell Square, criados, comida na mesa. Tinha tudo, exceto amor. Aliás, o casamento nem chegara a ser consumado.

Num certo dia, a tia Violet sente-se indisposta e Grace acompanha-a ao hospital local, onde conhece o jovem médico indiano, Dr. Fernandes. A tia de Grace, xenófoba, recusa-se a ser tratada por ele, pedindo que seja atendida por um médico da sua cor. A atração entre ambos é mútua, ao ponto de se envolverem e de criarem planos de vida conjunta. Após o fim do seu internato, o Dr. Fernandes esperava voltar à sua terra mãe e levar Grace consigo. Como vemos, o plano não se vai concretizar. Quando Grace descobre o seu estado de graça, e após contar a Vikram, decide abrir o jogo com o seu marido. Este, temendo a vergonha, decide aperfilhar a criança que Grace traz no ventre. Para tal, Martin exige que Grace vá para fora da cidade, acompanhada pela tia Violet, para poder ter a criança, longe dos olhares de todos. Grace não se conforma e tenta lutar a todo o custo contra esta situação, mas em vão.

Após o nascimento da criança, a mesma foi-lhe retirada ainda na sala de parto e Grace internada num asilo, por aconselhamento médico e da própria tia Violet. Grace nunca ficou a saber se a criança tinha sobrevivido ou se tinha tido uma menina ou menino. Somente tinha ouvido um choro, mas devido a toda a situação do parto, não sabia se tinha sido real ou imaginado.

Quem também perdera o rasto do seu amor fora Vikram que foi acusado injustamente de ter violado uma paciente. Fora tudo orquestrado pela tia Violet. A muito custo, o pai de Vikram consegue “comprar” a liberdade do filho, com a contrapartida de partir de Dublin, o mais rapidamente possível. Vikram parte desolado para a Índia, pois tinha desonrado a sua família. Contudo, tinha a esperança de um dia voltar a ver o seu grande amor.

Trinta anos depois, Vikram, que se tinha permanecido solteiro, regressa a Dublin, na companhia da sua sobrinha, Rosa, para tentar descobrir o que realmente aconteceu a Grace.

Voltando a Emma, esta decide ir ao tal asilo em busca de informações sobre a sua mãe, acompanhada por Andrew Kelly, amigo pessoal do juiz, a quem este tinha confidenciado que tinha internado a sua esposa no Asilo de Nossa Senhora, em Wicklow, facto que mais tarde confessa se ter arrependido. Apesar da lealdade que tinha para com o médico, Kelly decidiu, em plena consciência, partilhar esta confidência com Emma, prontificando-se a ajudá-la no que fosse necessário.

Emma chega lá e após falar com o pároco, descobre que houve um incêndio nesse tal asilo. Ao visitar o cemitério das vítimas desse incêndio, descobre a lápide da sua mãe. Emma fica completamente destroçada.

As revelações não tinham ficado por ali. Aos poucos, Emma foi descobrindo pormenores do seu passado e da vida dos seus pais. Afinal, Andrew era companheiro do juiz Moran, durante os últimos dez anos. Isto explica o porquê de ter tido um casamento de conveniência e o mesmo nunca ter sido consumado. Outro pormenor que descobriu aquando da leitura do testamento do juiz é que este não era o seu pai biológico, mas sim Vikram Fernandes, e que afinal a mãe tinha dado à luz gémeas, uma caucasiana e uma mestiça. A mestiça foi entregue pelo juiz ao Vikram para ele a criar, aquando da sua partida para a Índia, sem este nunca lhe ter contado que existia outra criança.

O mundo de Emma parece desabar com tantas revelações. Descobre que o seu pai era um homem totalmente diferente, a sua mãe fora internada injustamente num asilo, tinha outro pai e uma irmã gémea. Temos de concordar que processar isto tudo deve ter sido muito difícil.

Vikram Fernandes regressa a Dublin, quase trinta anos depois de ter partido. Vikram viajara contra a vontade da sua irmã, Rhya, que tinha sentido na pele as profundas marcas que Dublin deixara no seu irmão.

Pode-se dizer que este regresso a Dublin foi tudo menos penoso. Vikram conheceu a sua outra filha, Emma, e disse, finalmente, a Rosa que ele é que era o seu pai.

Contudo, o melhor ainda estava por vir. Após as apresentações formais entre pai e filhas, Vikram perguntou a Emma se ela sabia onde é que a Grace estava enterrada. Disse que sabia e comprometeu-se a ir lá com ele, manhã seguinte.

Quando chegaram ao local, Vikram foi ao local indicado por Emma e Emma e Rosa foram falar com a Mandy McGuire que tinha estado com Grace no asilo. Mandy começa a comportar-se de um modo esquisito, chegando mesmo a desmaiar. Recuperada, Mandy conta a Emma e Rosa que ela é de facto a mãe delas. Escusado será dizer que a surpresa foi geral: primeiro, Grace pensava que a criança a que tinha dado à luz morrera, agora descobriu que, para além de ter sobrevivido, teve gémeas; segundo, Emma fica a saber que a sua mãe estava viva; terceiro, Rosa, que toda a vida teve Rhya como mãe, descobre que afinal o seu tio, e ombro amigo, é de facto seu pai e que aquela mulher que tem à sua frente é a sua mãe. Após Grace lhes ter contado toda a história, pergunta por Vikram. Emma e Rosa respondem, dizendo que ele foi para junto da lápide da falecida Grace.

Grace parte em seu encontro e o reencontro se dá. Trinta anos depois, os amantes estão finalmente juntos, em família, e na terra natal de Vikram, tal como tinham sonhado.

Quando um amor é verdadeiro e puro, nada nem ninguém o consegue destruir, por mais que tente. Aqui temos a prova disso mesmo. Trinta anos depois e, após muito sofrimento, duas almas que se apaixonaram e romperam com estigmas sociais estão finalmente juntos!

Até para a semana …

TCR

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