A ilha debaixo do mar

Olá, meus amigos, mais uma terça, mais um dia da nossa rubrica. O livro que hoje vos trago chama-se A ilha debaixo do mar e foi escrito por Isabel Allende.

A personagem principal desta história faz parte do mundo pintado de Allende. Foi baseado em alguém que ela conheceu e que a inspirou a criar Zarité, uma menina que aos nove anos foi vendida a um rico fazendeiro de Saint-Domingue, pequena ilha que pertencia a Le Cap (o atual Haiti). Não conheceu outra vida se não a de escrava doméstica. Apesar de ter o destino marcado, ela nunca deixara de sonhar com a sua liberdade.

Zarité foi comprada ainda bebé pelo marido da Madame Delphine, com quem ficou até aos nove anos. Violette Boisier, prostituta de ofício, incumbiu-se de arranjar uma escrava de companhia para a esposa do Toulouse Valmorain, Dõna Eugenia del Solar. Valmorain era um antigo cliente de Violette com quem tinha criado laços de amizade. Entra em contacto com a Madame para adquirir a jovem Zarité. A venda da jovem foi um pouco dificultada pela Madame, pois esta queria fazer o melhor negócio possível.

Durante uns meses, Zarité, Tété como era conhecida, ficou à responsabilidade de Violette, que tinha como função prepará-la para ser dama de companhia de Dõna Eugenia. Quando chegou o momento da partida, Valmorain foi buscar a jovem Tété, mas a jovem não queria ir, pois tinha estabelecido uma relação de amizade e de admiração com a Violette. A sua adaptação foi um pouco complicada, pois não sabia espanhol. Ao fim de uns meses, já conseguia dizer algumas palavras em espanhol, as suficientes para comunicar com a sua patroa.

Os anos foram passando. Zarité tornou-se numa mulher muito bonita, cativando a atenção do seu senhor e do capataz da plantação. Dõna Eugénia, de dia para dia, demonstrava uma certa instabilidade mental, que já tivera sido demonstrada pela sua mãe e avó, ao ponto de Valmorain pedir ajuda ao médico local, que com a ajuda de Tante Rose, a madrinha de Zarité e a curandeira da plantação, tentou ajudá-la, mas sem sucesso. Valmorain chegou a mandar a sua esposa para fora, durante uns tempos, para ver se a mesma recuperava. Mas o verdadeiro motivo dessa ida, foi para esconder o facto de Zarité estar grávida dele. Zarité teve um menino que lhe foi retirado do peito e entregue a Violette Boisier, que tinha deixado o velho ofício e se juntado com Étienne Relais, um prestigiado comandante do exército de Le Cap. Eles criam a criança como sendo deles, dando-lhes o nome de Jean- Martin.

Meses depois, a Dõna Eugenia voltou como se nada tivesse acontecido. Foi então que se deu um milagre: Dõna Eugenia engravida. Mas a gravidez será controversa, pois as alucinações voltam a perturbá-la. Valmorain não teve outro remédio se não chamar novamente o doutor e pedir-lhe que zele pelo nascimento do seu filho, futuro herdeiro da sua plantação de açúcar. Dõna Eugénia passou grande parte da gestação em coma induzido. Ao fim do tempo de gestação, nasceu Maurice. Contudo, Dõna Eugenia rejeita Maurice, sendo que este acaba por ser criado pela ama de leite e por Zarité que o trata como se fosse seu filho.

Valmorain continua a ser visitado à noite por Zarité e esta acaba por engravidar de novo. Mas ela fica em pânico, pois ela se tinha envolvido com o Gambo, um negro recentemente chegado à plantação. Todavia, os anseios de Tété passaram assim nasceu uma menina, Rosette de seu nome, de tez branca. Maurice tratava-a como uma irmã, apesar de não saber a verdade.

Dõna Eugenia acaba por falecer e os seus restos mortais são enviados para Madrid, pois ela não queria ser enterrada naquele local, porque acreditava que os negros usariam os seus ossos para rituais.

O clima em Saint – Domingue torna-se cada vez mais instável, devido à Revolução Francesa. Esta Revolução aboliu a escravatura e todos os homens se tornaram iguais e livres perante a lei. Os senhores de Le Cap e de Saint-Domingue não viam com bons olhos esta nova política. Esta boa nova, vinda de França, fazia crescer, a olhos vistos, a vontade dos negros se rebeliarem e de se tornarem livres.

Como esperado, a rebelião dos negros aconteceu. As plantações foram destruídas e a maioria dos senhores foram mortos. Ajudados por Gambo, Valmorain, Tété e os meninos conseguem escapar e fugir para Le Cap. Lá são ajudados pelo Comandate Relais que os ajudar a ir para Cuba, onde o cunhado de Valomorain se encontrava. Antes de saírem de Saint-Domingue, Tété obrigou o amo a assinar a sua carta de alforria, onde ela e a sua filha deixavam de ser escravas e passariam a ser livres. A liberdade teria de ser outorgada por um juiz, mas o primeiro passo tinha sido dado.

Depois de alguns anos em Cuba, Valmorain segue os conselhos do seu cunhado, muda-se para Louisianna, e continua com os negócios de plantação de açúcar. Os negócios acabam por prosperar e Sancho aconselha o cunhado a recasar. A princípio é relutante com a ideia, mas acaba por ceder quando conhece Hortense Guizot. Valmorain acaba por ter mais quatro filhas com Hortense. Hortense bem tentou dar um filho varão, mas nunca conseguiu, o que a deixava furiosa, pois não queria que a sua fortuna fosse gerida por Maurice. Maurice foi “despachado” para Boston para estudar. A vontade de manter Maurice longe era tão grande que nem nas férias estava autorizado a regressar. Maurice acabou por encontrar no Professor Cobb um pai e um ombro amigo. O Professor Cobb era um abolicionista convicto. Maurice que, desde pequeno, abominava a escravatura, reviu-se nos argumentos de Cobb e decidiu ele mesmo enveredar pela política para que pudesse erradicar de ver a escravatura. Maurice mantinha o sonho de se casar com Rosette, apesar de saber que eram irmãos de sangue. Rosette tinha sido mandada para um colégio de freiras, as irmãs Ursulinas. Contudo, e apesar da separação, nunca perderam o contacto um com o outro, escrevendo-se diariamente.

Apesar de ter a sua carta de alforria assinada, Tété mantinha-se como escrava de Valmorain, sobretudo porque este lhe tinha pedido para tratar das suas meninas, pois Hortense não tinha jeito nem paciência para o choro das meninas. Tété assim o fez, até que, um dia, falou com o Père Antoine, considerado como um santo, e lhe mostrou a carta de alforria, o seu maior tesouro. O Père Antoine que conhecia muita gente decide mostrar a carta a um juiz que convoca Tété e Valmorain para estarem presente numa reunião. Valmorain fez-se acompanhar pelo cunhado e pelo Dr Parmentier, que conseguira escapar de Saint-Domingue e encontrou no Lousianna um lar, pois lá podia viver abertamente a sua união com Adèle, mulata e costureira. Quer Sancho quer Dr. Parmentier intercederam junto de Valmorain para que ele reconhecesse o conteúdo da carta que escrevera e que tornasse Tété e Rosette livres. Após alguma relutância, decidiu reconhecer a Tété como uma mulher livre e Rosette como sua propriedade. Contudo, e segundo a lei, o edital tinha de ficar afixado quarenta dias para que alguém se pudesse opor. Caso ninguém se opusesse, Teté seria considerada uma mulher livre, o que foi que aconteceu. Com trinta anos de idade, Tété tornou-se uma mulher livre.

Tété acaba por ir trabalhar para a Violette Boisier que também tinha emigrado para o Louisianna. Tété volta a reencontrar o Zacharie, um ex-escravo com que tinha conhecido em Cuba e com quem aprendera alguma regras de etiqueta. Zacharie era co-proprietário de uma casa de jogo e dava para ter uma vida minimamente modesta. Para além de trabalhar para Violette, ajudava o Dr Parmentier a fazer loções e mezinhas para os seus doentes, pondo em prática o que aprendeu com a Tante Rose.

Maurice retorna a Lousianna e procura Rosette que tinha abandonado o convento das Ursulinas, visto que as freiras abandonaram o convento. A paixão entre eles não arrefeceu, pelo contrário, tornou-se ainda maior. Maurice e Rosette sabiam que eram irmãos, mas mesmo assim, amavam-se e queriam casar-se. Valmorain não aceitou esta união, não só pelo facto de serem irmãos, mas também pelo facto de Rosette ser mulata.

Tété, ao início, não aceitou a ideia de casamento, mas depois compreendeu que não valia a pena lutar contra o óbvio. Decidiu, então, ajudá-los a se casarem. Pediu ajuda ao Père Antoine. Inicialmente, não se opôs, mas quando soube que eram irmão, recusou-se a casá-los.

Foi então que Tété pediu ajuda a Zacharie que mantinha negócios com Romeiro Toledano, um português, que trabalhava no ramo de importação e exportação e que dispunha de um barco. A pedido de Zacharie, este aceitou soltar o seu barco e Maurice e Rosette casaram-se, em alto mar. Passada a lua de mel, Maurice partiu para Boston para continuar a sua formação com o Professor Cobb e Rosette foi ajudar a Adèle com as encomendas de costura.

Tété engravidou de Zacharie, ao mesmo tempo que Rosette engravidou de Maurice. A gravidez de Rosette não foi tranquila, visto que se meteu num apuro, graças a Hortense Guizot. Certo dia, Hortense passeava com a irmã e vê Rosette na rua e apercebe-se da barriga. Hortense não perde tempo e ofende Rosette, chegando mesmo a lhe bater. Rosette, que não a reconheceu de imediato, responde à agressão, dando-lhe um estalo. Enraivecida com o gesto, chama a polícia. A Rosette é levada para os escalboços. A situação não foi mais indicada, atendendo ao seu estado. Após o Père Antoine ter intercedido junto a Valmorain, cujo acontecimento desconhecida, para que este ajudasse a libertar a moça. Após alguns meses, Rosette foi libertada, mas toda aquela situação fez com que a criança nascesse antes do tempo. Rosette que tinha passado por um calvário na prisão acabou por falecer de complicações do parto. O menino, chamado de Justin, conseguiu sobreviver, graças à avó Tété que como também tinha sido mãe de uma menina, de seu nome Violette, amamentou o seu neto como se fosse seu filho.

Quando Maurice soube da morte de Rosette, tornou-se apático, decidindo deixar o seu filho a cargo da avó, e partiu pelo mundo fora, vivendo com tribos e lutando contra o abolicionismo.

Tété envelheceu ao lado de Zacharie e dos seus descendentes, como uma mulher livre, na sua ilha debaixo do mar.

Apesar de todas as adversidades trazidas pela vida, e sobretudo pela escravatura, Zarité conseguiu lutar e alcançar a sua liberdade. Através desta personagem por ela pintada, Allende, conta-nos um dos períodos mais negros da história, a escravatura.

Todos nascemos iguais, independentemente da cor da nossa pele ou das nossas crenças pessoais. Sangramos e temos a mesma cor de sangue.

Não podemos julgar os outros pela aparência, uma vez que por dentro somos todos iguais

Até para a semana …

TCR

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