Paula

Olá, meus amigos, mais uma terça feira, mas esta é especial pois já estamos no verão, a minha estação do ano preferida!

O livro que hoje vos trago chama-se Paula e foi escrito por Isabel Allende. Este livro é o livro mais autobiográfico da autora, pois conta-nos um período da sua vida pessoal, ou seja, a doença da sua filha Paula.

A ação começa com Paula, em coma, internada num hospital, sem melhorias à vista. Paula sofria de porfiria. Segundo a pesquisa que fiz, esta doença, que é uma doença genética, acontece quando algumas das sete últimas enzimas que trabalham na produção do heme, o nome dado ao composto químico que dá a cor vermelha ao sangue e é fundamental para várias proteínas do corpo, entre elas a hemoglobina, é deficiente ou quando a primeira delas tem um aumento de atividade, causando a acumulação de compostos precursores do heme (informação retirada do site https://minutosaudavel.com.br/porfiria/#o-que-e).

Enquanto a filha se encontra em coma profundo, induzido devido às fortes convulsões que tinha, Isabel vai-lhe contando a história da sua família, na esperança que a mesma a faça renascer. Fala da sua mãe, mulher por quem nutre uma forte admiração, que ficou sozinha a criar os filhos, porque o seu marido, o diplomata Tomás Allende, primo-irmão de Salvador Allende, resolve fugir para não ser capturado. Fala-nos dos momentos passados com o seu Tata, avô materno, sobretudo das tardes em que iam assistir à Luta Livre no Teatro Caupolicán, fala-nos das férias que passavam no Chile, em que chegavam negros do sol e com a alma renascida, fala-nos da sua “ama”, de seu nome Margara, que foi uma pessoa marcante na sua infância, devido à sua personalidade, entre outras memórias que ela vai partilhando com a filha.

Para além dos pormenores da sua infância, Isabel fala-nos também do seu primeiro casamento com o pai de Paula, Michael (ele era portador dos genes das porfiria), do seu auto-exílio em Caracas, Venezuela, devido ao peso do apelido Allende, a sua viagem de promoção de um livro aos Estados Unidos onde conhece o seu segundo marido, Willie, do sofrimento e do sentimento de impotência do seu genro Ernesto e da sua emergente carreira como escritora, que segundo ela, se deve às histórias que ouvia quando era criança. Aliás, ela estava a fazer a promoção do seu livro Plano Infinito, o quinto livro publicado, quando recebera a notícia de que a sua filha tinha sido internada.

Com o desenrolar da história, vamos vendo Isabel debater-se com vários sentimentos, pois durante o coma da filha recorre a todo o tipo de mezinhas e afins para a salvar. Isabel é simplesmente uma mãe que se sente impotente por não conseguir resgatar a sua filha da doença que aos poucos a destrói.

Isabel, à revelia da opinião dos médicos espanhóis que estavam a seguir Paula, decide levá-la para os Estados Unidos. E, com o avançar da história, percebemos que foi o melhor que fez, apesar de já ser tarde para Paula. Mais tarde, já nos Estados Unidos, Isabel descobre que os médicos espanhóis foram negligentes no tratamento da Paula, provocando-lhe o coma irreversível. Uma das enfermeiras que acompanhava Paula diariamente confessou a Isabel, após a morte de Paula.

Isabel tinha sonhos com a Paula onde esta lhe pedida que a ajudasse a partir, fisicamente, pois espiritualmente estaria a velar sempre pela sua família. No mais ínfimo dos seus sentimentos, Isabel pensa ajudá-la a por termo ao seu sofrimento, sobretudo quando Ernesto lhe entrega uma carta que Paula escreveu durante a lua de mel e que nunca tivera coragem de ler. Nessa mesma carta, Paula pede que lhe deixem partir, caso aconteça uma eventualidade como a presente. Parecia que Paula tinha previsto o seu futuro.

Isabel sabe que ela tem de partir, de largar a sua prisão corporal e de ser feliz no plano espiritual. Contudo, uma pergunta fica no ar: será que a Paula foi ajudada a morrer ou será que Deus finalmente ouviu as preces desta mãe?

Na madrugada do dia 6 de dezembro de 1992, precisamente um ano após a sua entrada no hospital com os primeiros sintomas da porfiria, Paula morreu. Como a própria autoria cita “Morreu no meu regaço, rodeada pela família, pelos pensamentos dos ausentes e dos espíritos dos seus antepassados que apareceram para ajudar. Morreu com a mesma graça perfeita que existiu em todos os gestos da sua existência.”

Este livro, escrito quase como uma tempestade, transmite-nos uma enorme lição de vida, pois vemos o desespero de uma mãe que viu a escrita como forma de não enlouquecer. Ao mesmo tempo, permite-nos conhecer a realidade encantada de Allende, a mesma que ela deixa transparecer em todos os seus romances.

Até para a semana …

TCR

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