Eva Luna

Olá, meus amigos, hoje é o dia mais aguardado da semana. É o dia da nossa rubrica. Para hoje, escolhi trazer-vos Eva Luna, da autoria de Isabel Allende.

Como é habitual, Eva Luna é mais uma das personagens pintadas no universo imaginativo de Isabel Allende. Allende passou parte da sua infância e vida rodeada por personagens femininas fortes e, como tal, Allende traz-nos uma guerreira de seu nome Eva Luna.

Este livro conta-nos a história de Eva Luna, uma jovem chilena analfabeta, que tenta sobreviver numa sociedade corrompida. Para percebermos a sua história temos de voltar atrás e conhecer o seu passado.

A mãe de Eva, cujo nome nunca é mencionado, foi encontrada sozinha num barco e ninguém sabia de onde tinha vindo. Foi levada para um orfanato católico e quando já tinha idade para trabalhar foi designada pelo padre para ir trabalhar como empregada doméstica na casa de um médico inglês, um pouco excêntrico, que ganhava a vida a mumificar pessoas e a produzir remédios nunca antes tomados.

Certo dia, trouxeram um jovem índio que tinha sido picado por uma cobra. Durante dias, a mãe de Eva limpou a ferida. Apesar do pouco contacto verbal, a mãe de Eva e o índio apaixonaram-se e sucumbiram ao prazer carnal. Bastou uma única noite para que fosse gerada Eva. Num dia seguinte, o jovem índio, que já não tinha febre, foi-se embora, sem saber que dali a nove meses iria ser pai.

A mãe de Eva nunca parou de trabalhar e Eva acabou por nascer num quarto recôndito na casa do médico inglês. O parto foi tão pacifico que nem barulho fez. A mãe de Eva criou uma grande ligação com a cozinheira da casa, convidando-a para madrinha da pequena recém-nascida. A pequena Eva foi batizada e foi-lhe dado o apelido de Luna, porque a mãe dela tinha ouvido falar que o pai da pequena Eva pertencera a uma tribo de índios que tinha o nome de Luna, ficando assim com o nome Eva Luna.

Aos sete anos, a mãe de Eva morre, deixando-a órfã e aos cuidados da sua madrinha que assim que pode a pôs trabalhar como empregada doméstica.

Eva tinha uma personalidade muito forte, pelo que se tornava complicado aceitar todos os maus tratos que recebia. Cansada de tantos maus tratos, Eva foge e vai viver para a rua onde conhece Huberto Naranjo, também órfão, que viva na rua a trabalhar no que aparecia.

Naranjo teve pena de Eva e leva-a para uma casa de prostituição para trabalhar como empregada doméstica. Durante um tempo teve teto e comida, mas o lugar é fechado e Eva vê-se obrigada a ir viver de novo para a rua.

Mas a vida de Eva estava prestes a mudar quando se cruza com um imigrante libanês que estava a fazer compras na cidade. Ele e a sua esposa nunca tinham tido filhos e decide levá-la para a sua casa para lhe fazr companhia e para ajudar a esposa com a lida da casa. Contudo, isto foi sol de pouca dura, porque ocorre uma tragédia na casa do casal que a acolheu e Eva vê-se de novo sozinha.

É nesta solidão que se cruzará com pessoas de mundos diferentes. Cruza-se com Mimi, um transexual; cruza-se com Rolf Carlé, um jovem austríaco que fugiu de um país destruído pela guerra, após o enterro do seu impiedoso pai; cruza-se com guerrilheiros comunistas que sonhavam fazer da Cordilheira dos Andes uma segunda Sierra Maestra, entre outros que marcarão a sua vida e mundo.

Ao longo de toda a história, Eva defende sempre a sua liberdade, lutando contra sistemas opressores, abraçando com toda a sua força todas as oportunidades de liberdade que surgem no seu caminho.

Esta história abraça vários contextos históricos, entre eles a II Guerra Mundial, terminando na Ditadura de Pinochet.

Eva Luna representa os menos favorecidos que ao longo dos vários períodos históricos foram largados à sua sorte e que tudo fizeram para sobreviver, enfrentando cenários de fome e de miséria.

Até daqui a quinze dias …

TCR

2 opiniões sobre “Eva Luna

  1. Isabel Allende é fantástica!
    Suas personagens femininas são sempre fortes e maravilhosas, é impossível não gostar delas. O contexto histórico que ela aborda em suas obras também é fenomenal, dá pra notar que a autora faz uma ampla pesquisa sobre o contexto abordado. E muito bem lembrado, nas obras de Allende sempre temos aquela discussão permeando os oprimidos. É uma escritora completa sem sombra de dúvidas.

    Tem uma resenha recente de “Filha da Fortuna”, da mesma autora no meu blog, se quiser conhecer esse livro fantástico, dá uma passadinha lá 😉

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