Para a minha irmã

Olá, meus amigos, sejam bem-vindo a agosto e à nossa rubrica. Sentiram saudades? Também eu!

O livro que hoje vos trago se chama Para a minha irmã e é da autoria de Jodi Picoult.

Este livro fala-nos de Sarah e Brian Fitzgerald que têm dois filhos, Jesse e Kate. Quando Kate tinha dois anos, Sarah começa a se aperceber que esta fazia nódoas negras como muita facilidade e decide levá-la ao médico. Após uma bateria de exames, surge o pior diagnóstico que qualquer pai desejaria de ouvir: Leucemia Miolocítica Aguda. A esperança média de vida é entre os nove meses e os três anos. Escusado será dizer que caiu o chão a estes pais. Fizeram testes ao Jesse, visto que era irmão, e também porque a doação de um membro da família é mais segura do que a de um estranho. Vieram os resultados dos exames e as notícias eram péssimas, pois Jesse não era compatível com a irmã. Foi então que o Dr. Harrison Chance, médico da Kate, sugere aos pais de Kate terem um novo filho, cujo núcleo de ADN seria “mexido” de modo que fosse 100% compatível com o de Kate. Inicialmente, os pais declinam a ideia, mas quando o cerco se começa a apertar, decidem avançar com a ideia e nove meses depois nasce Anna, a esperança de Kate se salvar.

Anna, ao longo da sua vida, vai fazendo várias doações à sua irmã, desde células estaminais do cordão umbilical até medula óssea. Contudo, os pais têm a noção de que Kate irá durante toda a sua vida necessitar da ajuda de Anna para sobreviver.

Certo dia, Kate começa a sentir umas dores, após meses sem queixas. Fazem uma nova bateria de exames e concluem que irá precisar de um transplante de rim, que é a médio prazo uma das consequências da sua estirpe de leucemia. Escusado será dizer que a dadora irá ser Anna, só que o inesperado acontece. Anna irá recusar-se a doar e até decide contratar um advogado, o conceituadíssimo Dr. Campbell Alexander, para que a defenda em tribunal, pois ela pretende pedir a sua emancipação médica, visto que se sente “farta” de ser usada pelos pais. Quando recebem em casa a notificação da ação interposta por Anna, a mãe fica incrédula e até pensa tratar-se de uma chamada de atenção da Anna, tentando demovê-la de seguir em frente com a mesma.

Sarah pensa que tinha conseguido convencer Anna a abandonar este “estúpido” processo, mas Anna demostra-se segura e intransponível na sua vontade.

Como Anna é menor e mora em casa dos seus pais, parte contrária no dito processo, o tribunal decide nomear um tutor ad litem que terá como obrigação zelar pelos supremos interesses de Anna. A tutora designada é Julia Romano, cujo passado se cruzara com o Dr. Campbell. Como se costuma dizer, “Deus escreve certo por linhas tortas”.

Eis que começa o julgamento. Várias são as testemunhas que são chamadas a depor. A mais aguardada sobe em último, a Anna que, apesar de relutância inicial, aceita testemunhar. Digamos que este será o testemunho que ninguém esperava ouvir. Anna finalmente confessa que decidiu seguir em frente com a ação judicial a pedido de Kate, pois esta está saturada de viver nestas condições. Kate sabia que dizendo isto à mãe, a mesma iria ignorar a sua vontade, porque um progenitor nunca desiste de um filho.

Após ouvir todos os testemunhos, o juiz dá o seu veredicto. Emancipa Anna medicamente para que a mesma decida, em conjunto com os médicos, se doará o desejado rim ou se fará outro tipo de doação à sua irmã. Por decisão do juiz, o Dr Campbell irá também permanecer como consultor/advogado da Anna até a mesma perfazer dezoitos anos, o que o mesmo aceita de bom grado. Enquanto o Dr Campbell e Anna esperam pela papelada, os pais vão visitar Kate ao hospital.

Momentos depois, Brian é chamado por causa de um acidente rodoviário frontal, em que duas das vítimas estão encarceradas. Qual é o espanto dele quando reconhece os passageiros do veículo. São nada mais nada menos do que Anna e o Dr Campbell. Conseguem resgastar o Dr Campbell, mas Anna encontra-se literalmente esmagada contra o vidro, o que dificultará o processo de desencarceramento. Brian, como qualquer pai naquela situação, deixa a emoção levar a melhor sobre si. Finalmente, conseguem retirar Anna, mas o estado de saúde inspira muitos cuidados. Anna é levada para o mesmo hospital onde Kate se encontra internada para ser operada, pois suspeita-se que tenha hemorragias internas.

Sara é avisada do sucedido e vai ter com Brian que está apático. Segundos depois chega Dr Campbell todo escavacado para saber notícias de Anna. Passado algum tempo, aparece o cirurgião que operara Anna com a notícia que ninguém queria ouvir: Anna falecera durante a operação. O mundo desaba em cima daqueles pais e do próprio advogado que passara a fazer parte da vida de Anna. Mas, ao mesmo tempo, não só renasce a esperança de Kate receber o rim de que tanto precisa, como também de outros anónimos de receberem os órgãos que tanto precisam para viver.

Passados oito anos, vemos uma Kate basicamente recuperada e em fase de estagnação. Apesar de Anna não se encontrar presente fisicamente, fará sempre parte de Kate.

Este livro aborda uma temática controversa. Criar um filho geneticamente compatível com outro é algo que a ciência faz, mas moralmente, levanta muitas dúvidas.

Até que ponto podemos fazer o papel de Deus? Até onde se pode ir para salvar a vida de um filho? Até que ponto se pode criar um ser humano, que não pediu para nascer, cuja função de vida será salvar a vida de outro?

Será que podemos fazer isto tudo, baseando-nos na premissa que devemos fazer tudo para salvar um filho?

Espero ler a vossa resposta a estas perguntas!

Até daqui a quinze dias …

TCR

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