A parteira alemã

Olá, meus amigos, como estão? Espero que o sol de agosto vos esteja a revitalizar a alma. O livro que hoje vos trago é da autoria de Mandy Robotham e chama-se A Parteira Alemã.

Este é o primeiro romance desta autora e é simplesmente divinal. Baseado em contexto histórico, nomeadamente no nazismo, conta-nos a história de uma parteira alemã, de seu nome Anke Hoff, que foi enviada para o campo de concentração de Ravensbrük, por ter sido apanhada por elementos da Gestapo quando saia de um bairro judeu, onde ajudara uma jovem judia a dar à luz. Nesse mesmo campo de concentração, Anke ajuda jovens mães judias a darem à luz, fazendo tudo o que está ao seu alcance para manter vivos quer as mães quer os bebés recém-nascidos. Contudo, sabe que é uma tarefa inglória, pois os bebés recém-nascidos eram retirados às mães, durante o processo de contagem (faziam-nos duas vezes por dia para garantir que não havia novos hóspedes), e eram afogados. “Ordem do Führer”, alegavam os guardas.

Devido à sua experiência, Anke é forçada sob ameaça (caso não aceite de bom grado a oferta, a sua família seria morta. Anke tinha sido separada dos seus, pelo que não sabia se estavam vivos ou mortos) a ajudar num parto, cuja identidade da mãe não é revelada. Anke, a muito custo, decide aceitar a tarefa que lhe oferecem.

Anke parte para Berghof e é lá que descobre a identidade da futura mãe. Não é nada mais, nada menos que Eva Braun, a companheira “não oficial” de Hitler. Aliás, toda a gente suspeitava da relação deles, mas não era tida como oficial, devido ao facto de Hitler ser considerado o pai da nação alemã. E, tendo em conta que o mundo estava em guerra, saber que Hitler ia ser pai poderia ser um presente para os Aliados. Daí toda esta situação ser tratada de modo confidencial.

Quando Anke descobre a sua tarefa, sente-se dividida entre o seu dever de parteira e o ódio que sente pelo regime para o qual era, agora, obrigada a trabalhar.

Às trinta e duas semanas, Eva começa a ter contrações, contrações essas provocadas por uma infeção urinária que podia não só antecipar o parto, como provocar a morte da criança devido a complicações.

Graças à experiência de Anke, Eva melhora substancialmente, conseguindo manter o bebé a salvo na sua barriga.

Anke era obrigada a apresentar relatórios da sua atividade, diariamente, ao capitão Dieter Stenz que pertencia à SS. Entre os dois nascerá uma atração que irá terminar em amor. Conscientes desta relação proibida, sabem que a mesma poderá não sobreviver a esta feroz guerra.

Chega o dia de Eva Braun dar à luz. Com a ajuda de Chirsta, criada do braço direito de Führer, ajudam Eva a dar à luz. Anke tem consciência do que aquele bebé representa, quer para Alemanha quer para a Resistência que que derrubar Hitler.

Após algumas horas de parto, finalmente a criança nasce. É um menino que é batizado de Edel por Eva. Contudo, Anke repare que o menino nasceu sem a mão direita. Anke fica em pânico, pois sabia muito bem o que o Reich fazia a crianças que nasciam com mal-deformações. Mesmo sendo filho do Führer, teria o mesmo destino. Anke enche-se de coragem e mostra a Eva. Esta fica em choque e, ciente do que lhe poderia acontecer, pede a Anke que o leve para longe, para fugir a uma morte certa. Com a ajuda de Chirsta e Dieter, ela consegue retirar a criança, sem que ninguém se aperceba. Anke escreve uma carta e pede a Dieter que entregue o bebé ao seu tio. Dieter parte e Anke fica com o coração nas mãos.

Quando finalmente o Dr Koening, que ia supervisionar o parto, e o Herr Goebbels, braço direito de Hitler, batem à porta do quarto de Eva, Anke informa que o bebé morrera após o parto, devido a mal-formações. Ambos estranham aquela notícia, sobretudo porque o corpo do bebé já tinha desaparecido. Eva, no meio da sua dor, confirma as palavras de Anke.

Duas semanas mais tarde, Anke é libertada. Chega a uma Berlim destruída por anos de guerra. Consegue descobrir o paradeiro da sua mãe e irmã. Quanto a Franz, seu irmão, descobre que faleceu num campo de concentração.

Quanto a Dieter, descobre que duas semanas depois de ter abandonado a casa de Eva, fora fuzilado por ter desertado. O bebé, esse, fora entregue a um casal pelo seu tio, descrito como simpático, e nunca mais se soube dele.

Anke tivera grávida de Dieter, mas quis o destino que abortasse prematuramente.

Anke continuou a fazer o que mais amava, a trazer crianças ao mundo. Acabou por se casar com Otto e pode experienciar, na primeira pessoa, o ato de dar à luz, duas vezes.

 Apesar de toda a destruição que o II Guerra trouxe ao mundo, Anke conseguiu, por fim, ser feliz. Isto diz-nos que mais negro seja o panorama, há sempre uma luz ao fim do túnel, se nos mantivermos esperançados e fiéis aos nossos ideais.

Até daqui a quinze dias …

TCR

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